Passam hoje, segunda-feira, 19 de Outubro, precisamente dois anos após o assassinato de Elvino Dias, advogado e assessor do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, e de Paulo Guambe, mandatário do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS).
O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) submeteu, em 8 de Janeiro de 2025, uma denúncia à PGR contra Roque Xavier, chefe do Departamento de Operações Penitenciárias (DOP) da Cadeia Civil de Maputo, e contra os reclusos Julião Ruben Munguambe e Edson Cassiano Lacerda Sílica, por fortes indícios de envolvimento no homicídio de Dias e Guambe.
O Director Executivo do CDD, Prof. Adriano Nuvunga, foi ouvido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em 17 de Julho de 2025, na qualidade de denunciante e assistente no processo. No entanto, até ao momento, não há quaisquer avanços significativos. As autoridades têm brindado os moçambicanos com narrativas mirabolantes. Após o assassinato, a Polícia da República de Moçambique (PRM) convocou a imprensa para afirmar que o crime teria sido motivado por razões passionais.
Recentemente, o Procurador-Geral da República, Américo Letela, afirmou, em sede do Parlamento, que Elvino Dias poderá ter sido assassinado por ordens de Momade Assif Abdul Satar, também falecido, mais conhecido por Nini Satar, alegadamente porque Elvino Dias era mandatário de uma ex-namorada de Nini Satar, que se encontra em fuga e estaria envolvida num caso de rapto e falsificação de atestado de óbito, no qual a suposta vítima teria simulado a própria morte, alegadamente com o envolvimento de Elvino Dias, que já estaria a colaborar com as autoridades para esclarecer a verdade.
Segundo Américo Letela, esse caso iria a julgamento no dia 20 de Outubro, uma segunda-feira (segundo as contas do Procurador), coincidentemente um dia antes do assassinato de Elvino Dias, facto que levou a PGR a abrir uma linha de investigação que relaciona o assassinato com os factos que conduziriam ao julgamento.
O CDD apela à PGR para que considere seriamente essas informações, vertidas na denúncia, porque poderão ser importantes para identificar tanto os executores materiais do crime como os eventuais mandantes.

